terça-feira, setembro 7

vivendo metades


é engraçado, ser surpreendida pelo destino (ou, deveria dizer, pelo passado) assim no meio da rua. é o tipo de coisa que te obriga a fazer um balanço da sua vida.
entre o dia quatro de setembro de dois mil e nove e o dia quatro de setembro de dois mil e dez a vida me foi mais ou menos como uma temporada de malhação. aconteceu de tudo e tanto que eu não poderia imaginar. mas cada conquista, cada motivo pra me fazer completamente feliz, me parte em duas marias-claras: uma que sabe exatamente o que quer e outra que morre de medo, principalmente, do julgamento alheio.
te ver me fez pensar no que eu perdi e no pensamento que eu tinha de que não existiria mais vida pós essa perda. e ao analisar esse 'pós-perda' eu vi o quanto sou mais feliz hoje do que era antes, quando achava que tinha tudo o que precisava.
hoje eu não tenho tudo o que preciso. e por isso estou completa. sou completa dentro de duas marias morrendo de medo uma da outra.
falta um pedaço de mim, depois de tudo, é certo. um pedaço que troquei pelo mundo, que me esperava e eu não sabia.
mas, enquanto me permito voltar a esquecer que você existe, eu posso me lembrar de todo o resto e de tudo o que pode ou deve me fazer completa - assim, como duas metades. cervejas, sorrisos e muito nankin entre os dedos. são beijos no ombro, preguiças gostosas como tardes chuvosas e preguiças dilacerantes como essa da dúvida que me atormenta.
não sei bem quem sou, nem qual dos dois caminhos das minhas duas marias devo seguir. mas eu sei bem o que não sou mais. e, por enquanto, isso já me é suficiente.