quinta-feira, março 25

Holly: You know those

days when you get the mean reds?

Paul: The mean reds, you mean like the blues?

Holly: No. The blues are because you're getting fat and maybe it's been raining too long, you're just sad that's all. The mean reds are horrible. Suddenly you're afraid and you don't know what you're afraid of. Do you ever get that feeling?

Paul: Sure.

Holly: Well, when I get it the only thing that does any good is to jump in a cab and go to Tiffany's. Calms me down right away. The quietness and the proud look of it; nothing very bad could happen to you there. If I could find a real-life place that'd make me feel like Tiffany's, then - then I'd buy some furniture and give the cat a name!

- Breakfast at Tiffany's

domingo, março 21

como lidar com maria tarrafa

nunca me chame de clarinha.
não coloque ketchup no macarrão.
não diga "tá certo".
não me pergunte porque não pinto as unhas de vermelho.
não grite comigo.
se eu não atender o telefone, NUNCA ligue mais do que duas vezes, eu juro que vou ficar instantaneamente com preguiça de retornar.
não me fale sobre a última prova do líder do big brother.
se eu disser "tá certo" é porque, certamente, não está.
não lixe as unhas na minha presença, sou inclinada a ter gastura.
e, lembrando, nunca, nunca mesmo, me chame de "clarinha".

quinta-feira, março 18

eu acho que

no fundo, até já esqueci como é que era minha vida quando era daquele jeito. eu não tinha muito pra sorrir, mas do pouco, quase tudo era você. agora nada de telefonemas - sequer telefones. sequer endereços. sua vida é só um álbum de fotos dos meus 13 anos na minha. são as cartas que guardei (todas elas, inclusive as que não te enviei) e as estrelas que esquecemos sobre aquele trapiche - depois de todos esses anos, elas ainda estão lá.
eu sou mais feliz agora: esquecer dessas coisas a maior parte do tempo e o tempo que me fez esquecer me fez bem, meu bem. mas eu sinto saudades, sabe? dos olhos verdes e dos conselhos da madrugada que eu nunca soube responder à altura. eu sabia o quanto sentiria falta, eu só não podia mais conviver com todo o meu egoísmo.

meu quarto

sem cor ficou tão grande.

quarta-feira, março 17

eu adoraria

se você surgisse na minha porta todas as noites e me abraçasse assim, no escuro, pra que todo o resto do mundo se diluísse no cheiro de sabonete do seu ombro direito.

quinta-feira, março 11

é tempo

de colocar minha vida na balança.

segunda-feira, março 8

depois de

cinco dias no inferno dentro da minha cabeça (e do meu útero com suas cólicas menstruais) tudo o que eu preciso é do seu beijo no meu ombro no final de semana.

não é que minha felicidade custe pouco - é que nos últimos meses ela tem tido também o seu nome.

quinta-feira, março 4

Quando eu tinha

mais ou menos cinco anos, meu pai me contou, depois de eu cortar o dedo, pra eu parar de chorar, que mais ou menos quando tinha a minha idade foi ao circo e voltou de lá com um elefante que ganhou no sorteio. Um elefante de verdade e não algum desses que eu pudesse ter de brinquedo, que ele veio montando e mostrando pra mãe, que desmaiou em seguida. Eu ficava maravilhada, contava vantagem na escola que meu pai era o único que teve um elefante. E as outras crianças morriam de inveja. E o fazia contar repetidas vezes, e a história sempre acabava crescendo em absurdos detalhes, talvez por não se lembrar da primeira versão, talvez por se empolgar achando que merecia mais emoção. Quando ele apagava as luzes eu esquecia o medo do escuro e dormia orgulhosa pensando no meu pai que tivera um elefante.

segunda-feira, março 1

- ela amava você?

- somente como uma extensão de si mesma.

- o que mais pode ser o amor?

- o senso comum de querer muito alguma coisa muito boa. não se precisa estar relacionado com laços de sangue. pode ser uma bola de praia vermelha ou uma fatia de torrada de manteiga.

- você está querendo dizer que você pode AMAR uma fatia de torrada com manteiga?

- somente algumas, senhor, em determinadas manhãs. sob determinados raios de sol. o amor chega e vai embora sem avisar.

- é possível amar um ser humano?

- é claro, especialmente se você não os conhece muito bem. eu gosto de olhar para eles através da minha janela, caminhando na rua.

(Madrugada sempre me deixa com vontade de ler Bukowski)